Lidar com jornalistas é tranquilo, mas lidar com um oficial sobre um assunto nada delicado era uma dúvida. Principalmente porque nossa primeira experiência com Krüger não havia sido das melhores.
O tenente coronel mostrou-se em um primeiro momento desconfiado do nosso trabalho. Com aquela postura clássica (extremamente séria) Krüguer quebrou nossa imagem de que todos os militares seriam simpáticos e prestativos como os do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER).
Pela tarde partimos para a esplanada dos ministérios e seguimos para o prédio da Força Aérea Brasileira (FAB) onde o entrevistamos. Os prédios dos ministérisos possuem duas entradas. Uma geral, para a maioria dos funcionários e visitantes do órgão e outra exclusiva para o ministro, neste caso o brigadeiro.
A entrevista foi feita no hall da entrada do comandante da aeronáutica. Um belo espaço com bandeiras, brasões e painéis que remetiam à FAB e suas aeronaves. Posicionamos nossas câmeras próximas ao elevador do brigadeiro, de frente a um grande painel com a imagem de Santos Dumont e o 14 Bis. O Krüger (foto abaixo) desconfiado de antes deu lugar a outro mais calmo e sorridente.
Assim que ligamos as câmeras o entrevistado ainda estava um pouco nervoso. Talvez por tentar buscar nas recordações o máximo possível de detalhes do ocorrido, ou por algum outro motivo de caráter militar que desconhecemos. O tenente coronel Spengler, do CECOMSAER, também acompanhou a entrevista e nos deu todo o suporte durante a coleta de informações e material na FAB.
Tudo segue bem, tirando algumas gaguejadas do Krüger, até que chegamos ao delicado assunto: vítimas.
"Como eu tinha participado dos dois lançamentos anteriores eu conhecia praticamente todos os técnicos que trabalhavam... (já com a voz engasgada) Era uma equipe... muito comprometida... trabalhavam após o expediente, não tinha dia, não tinha hora. Eu garanto que eles fizeram o trabalho com a maior dedicação... visando o bem maior para o Brasil... e deram sua vida para que o Brasil pudesse conquistar seu espaço no mundo hoje".
O grande momento da entrevista, o militar emocionado e desfazendo nossa primeira impressão. Outra vez saímos aliviados com mais uma etapa vencida e bem sucedida e felizes pela próxima entrevista que faríamos de noite.
O militar da reserva e seus "soldados" na ativa
Com Henrique tudo sempre corre muito bem. Abraços, sorrisos e conversas descontraídas, mas naquele dia o assunto era sério. Logo fomos para uma sala de reunião do UniCEUB - Centro Universitário de Brasília (nossa faculdade da graduação) e começamos a ajustar luzes, câmeras e microfone.
Como esperávamos, a nossa conversa fluía bem. Tão bem que a fita, de 60 minutos, precisou ser trocada. Se estávamos contentes no fim da tarde, agora às 22h estávamos mais ainda. Cansados pelo dia puxado, mas perto de concluir as gravações e passar para a segunda etapa do processo: a edição. Mas naquele dia sabíamos que nosso documentário não teria apenas 15 minutos, como inocentemente pretendíamos.
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