O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) é a segunda base de lançamento de foguetes do Brasil e foi criado em 1989 no estado do Maranhão. Seu objetivo é realizar missões de lançamentos de satélites e sediar os testes do Veículo Lançador de Satélites (VLS). A bas
e está situada na latitude 2 graus e 18 minutos sul e tem uma área de 620 km².
O CLA foi criado como substituto do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) foto ao lado, localizado no Rio Grande do Norte que, devido ao crescimento urbano nos seus arredores, não permitia ampliações da base ou sequer sua utilização devido aos riscos existentes.
Uma das curiosidades da base é que, devido sua proximidade com a linha do equador, o consumo de combustível para o lançamento de satélites é bem menor em comparação com outras bases de lançamento existentes, além de contar com a velocidade de rotação da Terra na altura do equador que auxilia o impulso dos lançadores. Sua disposição permite também lançamentos em todos os tipos de órbitas, desde as equatoriais (em faixas horizontais) às polares (em faixas verticais).
As condições climáticas do estado do Maranhão também favorecem o lançamento de foguetes, uma vez que o clima é estável e seu regime de chuvas é bem definido, permitindo assim que o seja realizado em praticamente todos os meses do ano.
A base estava se preparando para a terceira tentativa de lançamento do VLS-1. Ele foi desenvolvido pe
lo Instituto de Aeronáutica e Espaço do Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos (91 km de São Paulo).
As duas primeiras tentativas de lançamento do VLS-1 (foto ao lado) foram frustradas. A missão era denominada como Operação São Luís. O objetivo era colocar o satélite meteorológico Satec do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o nanosatélite Unosat da Universidade do Norte do Paraná em órbita circular equatorial a 750 km de altitude.
A campanha iniciou-se em 1 de julho e foi planejada para durar até 60 dias, tempo necessário para transportar as partes do lançador de São José dos Campos (SP), realizar a montagem, integração, testes, treinamento das equipes e o lançamento do veículo. O lançamento do VLS-1 deveria acontecer no dia 25 de agosto de 2003. No dia 20 do mesmo mês iniciou-se a primeira contagem regressiva, com a finalidade de testar a sequência do lançamento.
Acontece que, no dia 22 de agosto de 2003, às 13h30, ocorreu uma grande explosão na Base de Alcântara que destruiu o foguete brasileiro em sua plataforma de lançamento. No momento do acidente, aproximadamente 200 pessoas trabalhavam no projeto, entre técnicos e militares. Desses, 21 morreram.
Como dados levantados pela perícia mostram, aparentemente a crise não era, de fato, uma surpresa. O jornal Folha de S.Paulo chegou a falar em uma edição sobre possíveis choques, passagem de corrente elétrica, pelo foguete e pela plataforma. Porém essa informação foi negada por José Viegas Filho, então Ministro da Defesa.
Investigações posteriores concluíram que a explosão, que consumiu cerca de 40 toneladas de combustível sólido do foguete, foi causada pela ignição prematura de um dos motores do foguete, deflagrada por uma centelha elétrica.
Com o lançamento do VLS-1 V03, o Brasil se tornaria o primeiro país da América Latina a enviar um foguete de fabricação própria para o espaço.